Em apenas 35 cidades do País mais da metade dos alunos sabe matemática

O restante não tem conhecimento compatível com  a série em que está, mostra relatório anual

Mariana Mandelli, de  O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Apenas 35 cidades brasileiras – 0,6%  do País – têm 50% ou mais de seus alunos com aprendizado em matemática adequado  à série que cursam. Isso quer dizer que a maior parte dos estudantes desses  municípios não aprendeu, por exemplo, a identificar objetos em mapas e a  resolver problemas com números inteiros e racionais fazendo várias operações. Os  dados se referem ao 9.º ano do ensino fundamental das redes públicas.

Antonio Milena/AE – 31/07/2008
Meta do plano  é de que, até 2022, 70% ou mais dos alunos tenham aprendido o conteúdo da  série

No caso da língua portuguesa, esse índice é de  1,2%. Ou seja: apenas 67 municípios apresentam a metade ou mais de seus  estudantes com conteúdo satisfatório para o ano da escola em que estão. Isso  significa que a grande maioria ainda não aprendeu a identificar o conflito e os  elementos que constroem a narrativa de um texto, por exemplo.

Os dados são referentes a 2009 e constam do  relatório anual do movimento Todos Pela Educação, apresentado na terça-feira, 7.  Todo aluno com o aprendizado adequado à sua série é uma das metas da  organização.

Para acompanhar o desenvolvimento desse processo  nos municípios, a organização usa o porcentual de estudantes com aprendizagem  adequada em língua portuguesa e matemática. As duas disciplinas são avaliadas em  todo o País pela Prova Brasil, no 5.º e 9.º ano do fundamental, e pelo Saeb, nas  mesmas séries e também no 3.º ano do médio.

No caso do 5.º ano, em matemática, são 1.029 as  cidades (19%) que têm 50% ou mais de seus alunos sabendo o que foi ensinado – como ler dados em tabelas. Em língua portuguesa, essa taxa cai para 14,3% – ou  773 cidades – com metade ou mais dos estudantes sabendo, por exemplo,  identificar efeitos de humor em um texto.

Nenhuma das capitais do País tem metade ou mais  de suas crianças e jovens com o aprendizado adequado nas duas disciplinas dos  dois anos avaliados. As taxas mais altas pertencem a Belo Horizonte, com 49% de  suas crianças do 5.º ano com conteúdo correto em português e em matemática.

Esses mesmos índices, na cidade de São Paulo,  são de 33,6% para matemática e 34,5% para língua portuguesa.

Cidades grandes paulistas, como Campinas, também  têm todos os índices abaixo da metade. O mais baixo é 12,3% de alunos do 9.º ano  com aprendizado adequado em matemática.

O secretário de Educação do município, Eduardo  Coelho, reconhece que o aproveitamento escolar no 9.º ano é um “sinal amarelo” para os administradores. “Isso reflete o que vem ocorrendo desde anos anteriores  e mostra que temos de caprichar, fazer mais investimentos, trabalhar para que o  aluno tenha vontade de ir à escola, de aprender”, afirmou Coelho.

Objetivos. Parte dos municípios  e Estados cumpriu as metas do Todos Pela Educação para aprendizado adequado. Em  matemática, no 5.º ano, por exemplo, cinco Estados deixaram de atingir as metas.  Já no 9.º ano, só quatro Estados as atingiram.

Para os especialistas em educação básica, não  aprender o que foi ensinado acarreta em prejuízos sociais. “Temos de manter a  eficiência do processo. Vemos hoje que, no 5.º ano, a porcentagem de alunos que  aprendem o esperado é maior que no 9.º ano – que, por sua vez, é maior que no  fim do ensino médio”, explica Priscila Cruz, diretora executiva da  organização. “É uma crise que estamos vivendo no País, e toda a ineficiência  desse sistema acaba desaguando no ensino médio: apenas 11% dos que concluem têm  aprendizado suficiente em matemática”, afirma Priscila.

A meta do Todos Pela Educação é de que, até  2022, 70% ou mais alunos tenham aprendido o conteúdo ensinado em sua série.  Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação,  afirma que o problema da aprendizagem depende de um conjunto de fatores, que  passa até mesmo pela infraestrutura da escola.

“A qualidade do equipamento escolar hoje é muito  baixa. Não é só um problema curricular ou de motivação do docente: a escola deve  promover a cidadania por meio de sua infraestrutura.”

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,em-apenas-35-cidades-do-pais-mais-da-metade-dos-alunos-sabe-matematica,832745,0.htm

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